O agronegócio de Mato Grosso do Sul alcançou marcos históricos na safra de soja 2025/2026. De acordo com os dados definitivos do Projeto de Sistemas de Informações Geográficas do Agronegócio (SIGA-MS), divulgados pela Aprosoja/MS e pelo Sistema Famasul, o estado registrou a maior área plantada de sua história, consolidando um volume total produzido inédito, apesar dos desafios climáticos enfrentados ao longo do ciclo.
A produção total de soja atingiu a marca de 16.744.499,3 toneladas, o maior volume já registrado desde o início do monitoramento do SIGA-MS, há 14 anos. A área cultivada expandiu para 4.620.446,82 hectares. No entanto, a taxa de crescimento da área foi de 2,1%, o que indica uma desaceleração e uma transição do setor para focar em ganhos de produtividade e eficiência, em vez de apenas incorporar novas terras.
Produtividade Média e Desempenho Regional
A produtividade média ponderada do estado fechou em 60,4 sacas por hectare (sc/ha). Embora expressivo, o número posiciona a atual safra no terceiro lugar do ranking histórico de eficiência, ficando atrás dos recordes das safras 2020/2021 (62,84 sc/ha) e 2022/2023 (62,44 sc/ha).
O desempenho foi puxado por diferentes realidades regionais:
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Região Norte: Responsável por 16,3% da área, registrou a maior produtividade média do estado, com 68,01 sc/ha, convertendo-se em 18,4% da produção total.
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Região Sul: Principal polo produtor, concentrou 60,8% da área plantada e entregou 59,20 sc/ha, respondendo por 59,6% do volume estadual.
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Região Central: Com 22,9% da área acompanhada, obteve média de 58,17 sc/ha (22,1% da produção total).
Os Municípios Destaques da Safra
A análise do SIGA-MS revelou que o equilíbrio entre escala (tamanho da área) e produtividade dita o ritmo do estado. Foram identificados 28 municípios com produtividade acima da média estadual e 50 abaixo.
Liderança em Volume
O município de Ponta Porã liderou a produção em Mato Grosso do Sul, somando uma colheita expressiva de 1.468.627,86 toneladas, fruto de uma combinação de 362.624 hectares plantados e média de 67,50 sc/ha. Logicamente atrás em volume, mas também gigantes na escala, destacam-se Maracaju (1,287 milhão de toneladas; 59,59 sc/ha) e Sidrolândia (963,6 mil toneladas; 55,47 sc/ha).
Campeões de Produtividade (sc/ha)
No topo da eficiência por hectare, os maiores destaques foram:
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Alcinópolis: 81,85 sc/ha
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Costa Rica: 76,91 sc/ha
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Chapadão do Sul: 75,65 sc/ha
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Três Lagoas: 73,50 sc/ha
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Aral Moreira: 72,40 sc/ha
Contraponto: Municípios com grandes áreas cultivadas e produtividades abaixo da média, como Bela Vista (47,65 sc/ha em 83 mil ha) e Iguatemi (40,29 sc/ha em 67 mil ha), pressionaram o indicador geral do estado para baixo.
Clima: O Impacto dos Veranicos Severos
O ciclo não foi simples para o produtor sul-mato-grossense. Se entre outubro e dezembro as chuvas colaboraram para a conclusão do plantio, os meses de janeiro e fevereiro de 2026 foram críticos.
Um período severo de estiagem e altas temperaturas (veranico) atingiu em cheio as regiões Sul e Central exatamente na fase de enchimento de grãos. Mais de 640 mil hectares foram afetados, enfrentando mais de 20 dias consecutivos sem precipitações em polos importantes como Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai. Em maio, a colheita foi totalmente finalizada (15 de maio), consolidando os números levantados.
Tecnologia, Práticas Sustentáveis e Gestão
O boletim também traçou o perfil tecnológico das propriedades rurais de MS:
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Sistema de Plantio: O Plantio Direto é soberano absoluto, adotado em 99% das áreas avaliadas.
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Agricultura de Precisão: 61% das 855 propriedades visitadas utilizam a técnica, com foco principal no manejo de fertilidade do solo (31%).
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Sustentabilidade: O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma realidade consolidada, adotado por 92% dos produtores. Além disso, 22% já utilizam o controle biológico contra pragas.
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Custo de Produção: 64% dos produtores realizam o cálculo detalhado de seus custos de produção. Curiosamente, entre os 36% que não o fazem, 97,5% afirmaram não ter interesse na ferramenta.
Sanidade Vegetal Controlada
A equipe de campo monitorou a incidência de ameaças biológicas. A Ferrugem Asiática registrou uma das menores ocorrências da história devido ao manejo preventivo eficiente e clima desfavorável ao fungo. Plantas daninhas resistentes como o Capim Amargoso e a Buva, além de pragas como o Percevejo Marrom e a Lagarta Falsa Medideira, exigiram atenção constante e registraram altos índices em municípios específicos, mas a situação geral terminou controlada no estado.
A metodologia do levantamento técnico foi realizada de ponta a ponta pela equipe do SIGA-MS, baseada em dados de campo ponderados e validados por imagens de satélite, contando com a certificação da Fundação MS.
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