A oficialização do veto da União Europeia (UE) às proteínas animais do Brasil, publicada no Diário Oficial europeu na última sexta-feira (5), acendeu o sinal de alerta máximo para o agronegócio de Mato Grosso do Sul. A medida, que retira o país da lista de nações autorizadas a exportar carnes (bovina e de frango), tripas, pescado e mel ao bloco, passará a vigorar efetivamente no dia 3 de setembro.
Embora o estado tenha na soja e na celulose suas principais forças de faturamento, o setor de carne bovina premium — fortemente presente nos confinamentos e na pecuária intensiva da nossa região — enfrenta agora uma das maiores barreiras comerciais dos últimos anos.
O Nó da Rastreabilidade e os Aditivos Alimentares
Ao contrário do que muitos pensam, o bloco europeu não apontou contaminação biológica ou falha de qualidade na carne sul-mato-grossense. A suspensão se baseia estritamente em critérios burocráticos e na política internacional One Health (Saúde Única), focada em combater a resistência humana a antibióticos.
Para a Comissão Europeia, o governo brasileiro não conseguiu comprovar documentalmente o controle completo e a rastreabilidade do uso de antimicrobianos em toda a cadeia produtiva. No centro do debate em Mato Grosso do Sul está o uso de aditivos de eficiência alimentar amplamente difundidos, como a monensina, utilizada para otimizar a digestão do gado em regime de engorda intensiva.
A partir de setembro, para enviar carne à Europa, o pecuarista precisará apresentar uma espécie de “rastreabilidade nutricional”, provando, de forma individualizada e auditável, o histórico de tudo o que o animal consumiu ao longo da vida.
Os Três Impactos Diretos para Mato Grosso do Sul
A equipe de análise econômica do Portal TV Planalto identificou três reflexos imediatos para a economia do estado:
| Área Impactada | Detalhe do Impacto | Consequência Direta |
| Custo de Produção | Exigência de novos selos, auditorias e relatórios veterinários detalhados. | Redução da margem de lucro do pecuarista, que já enfrenta preços pressionados no boi gordo. |
| Logística de Frigoríficos | Redirecionamento de cortes nobres (como filé mignon e alcatra) que iriam para a Europa. | Pressão para escoar o excedente no mercado interno ou tentar barganhar novas cotas com a China. |
| Concorrência Regional | Vizinhos de fronteira como Paraguai e Uruguai continuam autorizados a exportar para a UE. | Desvantagem competitiva temporária para os frigoríficos instalados em MS. |
O que Dizem as Entidades do Setor?
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) defendem a robustez do sistema de inspeção nacional e destacam que já trabalham junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para construir soluções técnicas e reverter a exclusão o quanto antes.
Por sua vez, a Sociedade Rural Brasileira (SRB) ponderou que a exigência europeia vinha sendo desenhada desde 2019 e cobrou esclarecimentos sobre os motivos pelos quais o país não concluiu as etapas de adequação dentro do prazo previsto, especialmente diante do alto nível tecnológico da pecuária nacional.
Oportunidade de Inflexão: Lideranças locais avaliam que o episódio deve servir para acelerar a modernização dos sistemas de controle privado e autocontrole regulatório, preparando o estado para um mercado global cada vez mais exigente em documentação e sustentabilidade.
O Portal TV Planalto segue acompanhando os desdobramentos desta decisão junto às federações de agricultura e núcleos de confinamento de Sidrolândia e região.
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