Duas mortes com características de execução estão sendo investigadas pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul após os corpos de Tiago Salles Pereira, de 22 anos, e Lucas Lima de Oliveira, de 24, serem encontrados na manhã de terça-feira (14), em uma estrada vicinal que liga a BR-262 à MS-040, a aproximadamente 25 quilômetros da área urbana de Campo Grande.
De acordo com as investigações, horas antes de serem assassinados, os dois teriam ido até uma oficina mecânica, localizada no bairro Jardim Noroeste, para cobrar o conserto de uma motocicleta cujo serviço já havia sido pago há cerca de três meses. A motocicleta pertenceria a outra pessoa, e Tiago teria sido chamado para auxiliar na cobrança por supostamente possuir influência dentro da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Desaparecimento após saída da oficina
Segundo o boletim de ocorrência, ao chegarem ao estabelecimento, o funcionário responsável pelo reparo da motocicleta não estava no local. Durante a permanência na oficina, Lucas chegou a enviar uma mensagem a um amigo relatando uma situação suspeita.
“Os cara não quer deixar eu atender”, teria escrito o jovem.
Pouco tempo depois, surgiram informações de que os dois teriam saído com o proprietário da oficina em um veículo, supostamente para localizar o funcionário responsável pelo serviço. No entanto, quando a Polícia Militar foi acionada, testemunhas informaram que a dupla teria deixado o local a pé.
Desde então, Tiago e Lucas desapareceram, levando o caso a ser tratado inicialmente como um possível sequestro. Ainda na segunda-feira (13), equipes do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) passaram a acompanhar as investigações.
Suspeita de ligação com facções
Conforme o registro policial, há suspeitas de que o proprietário da oficina possua ligação com integrantes do Comando Vermelho (CV), hipótese que passou a ser considerada pelos investigadores diante das circunstâncias do caso.
Durante as diligências, policiais também descobriram que a dupla esteve em outro estabelecimento, uma borracharia, onde teria feito cobranças e proferido ameaças enquanto procurava um funcionário que também não estava presente.
Segundo relatos obtidos pela investigação, após o episódio, o proprietário do local, seu filho e outro funcionário teriam decidido “resolver o problema”. Horas depois, um deles teria afirmado que “os guri já eram”, frase que agora integra o conjunto de elementos analisados pela Polícia Civil.
Corpos foram encontrados em estrada rural
Na manhã de terça-feira, moradores localizaram os corpos às margens de uma estrada de terra e acionaram o Batalhão de Polícia Militar Rural.
Lucas apresentava uma perfuração de arma de fogo na cabeça. Próximo ao corpo foram encontrados um boné vermelho e um canivete.
Já Tiago foi localizado cerca de dez metros distante, com três ferimentos provocados por disparos de arma de fogo, atingindo o tórax, a cabeça e um dos braços.
Equipes do GOI (Grupo de Operações e Investigações) e da 4ª Delegacia de Polícia estiveram no local para realizar os primeiros levantamentos e dar continuidade às investigações.
Polícia apura execução ligada à guerra entre facções
Na tarde de terça-feira (14), o delegado Cristian Duarte Molinedo informou que a principal linha de investigação aponta para um possível confronto entre facções criminosas como motivação do duplo homicídio.

A Polícia Civil segue realizando diligências para identificar todos os envolvidos no crime e esclarecer as circunstâncias do sequestro e da execução das duas vítimas. Até o momento, ninguém havia sido preso.


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