O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta uma das maiores crises políticas e financeiras de seu governo. Após anunciar sua renúncia na quinta-feira (5), em meio à crise envolvendo a liquidação do Ueno Bank, o mandatário ainda permanece formalmente no cargo e deverá comparecer ao Senado nesta sexta-feira (6), às 10h, para se defender em um processo de impeachment.
O pedido de afastamento foi apresentado por deputados da oposição poucas horas depois do anúncio da renúncia. A Câmara dos Deputados aprovou a acusação por unanimidade, com 78 votos favoráveis, abrindo caminho para a análise do caso pelos senadores.
A sessão conjunta do Congresso que deveria avaliar a renúncia, entretanto, terminou sem votação. Parlamentares governistas deixaram o plenário, provocando a perda de quórum e impedindo a deliberação.
Pela Constituição paraguaia, a saída definitiva de Peña depende de pelo menos 30 votos dos 45 integrantes do Senado. Caso seja destituído, ele perderá o direito de se tornar senador vitalício, condição que, conforme a legislação do país, garante imunidade contra processos criminais. Se o afastamento for confirmado, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país até agosto de 2028.
Os deputados também rejeitaram a abertura de um processo de impeachment contra Alliana.
Intervenção no Ueno Bank desencadeou crise
A crise política ganhou força após o Banco Central do Paraguai (BCP) decretar, na terça-feira (3), a intervenção no Ueno Bank. A medida foi motivada pela queda do índice de solvência da instituição para menos de 50% do limite mínimo exigido pela legislação paraguaia.
Horas depois do anúncio da intervenção, o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, deixou o cargo a pedido de Santiago Peña.
A situação se agravou com a determinação do Ministério Público paraguaio para prender oito diretores do banco. Segundo as autoridades, todos os executivos já foram detidos. Entre os investigados que compareceram a audiências no Palácio da Justiça, em Assunção, está o diretor Miguel Vázquez.
Nas semanas anteriores à intervenção, Peña havia minimizado os alertas sobre a situação financeira da instituição. Em 27 de outubro, o presidente pediu tranquilidade à população e classificou a investigação administrativa conduzida pelo Banco Central como uma questão de natureza técnica.
Quase 3 milhões de clientes são afetados
A intervenção no Ueno Bank provocou impactos imediatos para correntistas, funcionários e instituições que mantinham recursos depositados na instituição.
Os aplicativos e cartões do banco deixaram de funcionar, afetando quase 3 milhões de clientes, conforme dados da própria instituição referentes a junho.
Diante da situação, o Banco Central informou que disponibilizará uma plataforma oficial para que os poupadores possam registrar e consultar informações sobre os valores mantidos na instituição financeira.
Outro ponto de preocupação envolve os recursos públicos e os fundos de pensão depositados no banco. Segundo associações de segurados, os valores ultrapassam US$ 860 milhões, ampliando a preocupação sobre os possíveis prejuízos financeiros provocados pela crise.
Funcionários protestam e cobram respostas
A paralisação das atividades também provocou manifestações de ex-funcionários em frente à sede do Banco Central, em busca de esclarecimentos sobre a situação trabalhista.
De acordo com os manifestantes, mais de 400 trabalhadores ligados diretamente ao Ueno Bank foram atingidos pela medida. O impacto também alcança aproximadamente 1.500 empregados do Grupo Vázquez.
A crise reúne agora três frentes de preocupação no Paraguai: a instabilidade política envolvendo o futuro de Santiago Peña, as investigações sobre a administração do banco e os efeitos financeiros e trabalhistas para milhões de pessoas.

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